| Biografia |
Pequenos pedaços de madeira, retalhinhos de lona, sobrinhas de vigas de ferro. Produtos inúteis para muita gente, mas, não para a designer Luciana Duque que vê nas sobras dos materiais usados para fabricar móveis um potencial enorme de produção de novas peças de decoração. E, algumas delas, pode acreditar, você já deve ter visto por aí e até, quem sabe?, desejado levar para casa.
Ou vai dizer que o gatinho feito com retalhos de madeira para ficar no chão, como se fosse um bicho de estimação de verdade, não é um charme? Ou essa simpática casinha de pedacinhos de ferro? Diretora de estilo da Velha Bahia, Luciana já criou inúmeras peças decorativas com seus restos. Mas a ideia surgiu quase por acaso. Para criar uma segunda versão de uma mesa de jantar que é campeã de vendas na loja, Luciana decidiu cortar um pedaço dos pés para colocar rodinhas industriais com trava. Percebeu, então, que os pedaços cortados dariam cubos decorativos. Desenhou neles as marcas de um dado e passou a ficar de olho em tudo o que pudesse ser (re)aproveitado.
- Isso acabou até gerando economia para a gente porque nos forçou a aproveitar cada vez melhor os materiais. E contou pontos para que a gente conseguisse a licença ambiental da marca, já que foi criada uma linha de produtos sustentáveis - conta a designer.
A política de reaproveitamento levou também ao fim do encalhe. Se uma peça não vende na loja, já é logo transformada em outra coisa. Foi assim que nasceu a luminária "Pantográfica", que era na verdade a base de mesinhas laterais compradas na Índia para serem revendidas aqui. Mas como essa base pantográfica acabava deixando as mesas um tanto bambas, elas acabaram não vendendo. O jeito foi criar um novo produto, que, diga-se, vem fazendo o maior sucesso entre os clientes. Tanto que com o fim das mesas originais, Luciana já está desenvolvendo novas peças pantográficas para não parar de fabricar a luminária.
- Realmente, tem esse outro lado. Muitas vezes acabamos tendo que comprar mais material para continuar produzindo aquela nova peça, mas isso não chega a ser um problema já que agora não jogamos praticamente nada fora.
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É que até os menores pedaços da lona e do couro usados para estofar sofás podem ser aproveitados como etiquetas em outras peças. Para não se perder e poder criar à vontade, Luciana colocou caixas em seu escritório que recebem todas as sobras da marcenaria, estofaria e serralheria.
- Ali tenho toda a infraestrutura que preciso para desenvolver as peças ou o protótipo delas. No caso das esculturas, particularmente, adoro o diálogo que existe entre o volume e o vazio, criando um efeito tridimensional - diz a designer, que passou a desenhar também almofadas de lona e couro.
Mais uma economia - já que a loja parou de comprar almofadas de outros fornecedores - e outro sucesso de vendas. Na Copa, uma linha com bandeiras de países esgotou em poucos dias.
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